“A memória ama inventar, aumentar, diminuir. Ela não tem compromisso nenhum com o que acham as outras pessoas. Às vezes o mesmo acontecido é lembrado sob olhares diferentes, pelas pessoas envolvidas. Todos somos personagens de nossa memória. Atualizamos as nossas lembranças conforme nos convém. Mediante as circunstâncias, a lua, o nosso humor do dia… O que mais seria? Não tem a ver com mentira; talvez, com disposição, proteção, confiança, sobrevivência.”
Gésia Cássia Lima



Baixe aqui a versão gratuita livro
APRESENTAÇÃO
Ibicoara – memória e identidade.
André Rhomero
O município de Ibicoara foi formado a partir da ocupação de um território rural e agrícola, pertencente ao município de Mucugê, por grupos de Tropeiros – que levavam alimentos, roupas e utensílios para os garimpeiros que trabalhavam na região da Chapada Diamantina em busca de ouro e diamante.
Assim, um dos principais objetivos desse trabalho Óia pá tu vê – Memórias de meu lugar idealizado pela escritora Gésia Cássia Lima é preservar a memória desse povo e lugar, desde a sua ocupação, emancipação política – em 20 de julho de 1962, até os dias atuais, para que a história não se perca. E que se proteja, além do patrimônio imaterial -relacionado à cultura dos tropeiros e agricultores que aqui viviam/vivem, o patrimônio material natural presente em suas belíssimas cachoeiras, montanhas, espécies animais endêmicas, árvores nativas, flora, rios, paisagens e pinturas rupestres, em uma área sensível de transição de três importantes biomas brasileiros, a Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica.
A escolha do tema, “Memórias de meu lugar”, destaca-se pela urgência de se registrar, em textos diversos, depoimentos de cidadãos ibicoarenses que fizeram/fazem parte dessa história, e que ainda vivem em nosso município, apesar de sua idade avançada, em muitos casos, podendo nos trazer valiosas narrativas desse passado recente, com o frescor e a realidade viva de quem fez/faz parte desse belo processo histórico municipal, de relevante valor à IDENTIDADE do nosso povo. O projeto justifica-se, também, pela intenção de identificar, proteger e publicar o patrimônio material natural encontrado pelos tropeiros, agricultores e primeiros habitantes, ao chegarem aqui.
Importante traço da identidade de Ibicoara é que a formação de seu povo se deu por um processo migratório recente que continua até os dias atuais. A figura do “Tropeiro” é, portanto, até hoje, um símbolo importante da alma desse povo que continua incorporando imigrantes e “passantes” no seio da sua estrutura social, por ser um território de intenso fluxo de turistas, nacionais e internacionais, que buscam desfrutar das belezas extraordinárias do seu ecoturismo, que muitas vezes chegam como visitantes e terminam por fixar moradia no município, fato que tem acontecido com maior frequência nos últimos anos.
Assim, através da elaboração de textos belos, leves, alegres e intensos ligados à temática do projeto, pretendemos perenizar a memória e identidade local que continuam sendo estruturadas por esse perfil de cidadão que traz as suas memórias de vida dos mais diversos lugares do nosso planeta, constituindo uma população com uma variedade humana, e natural, incomuns, que precisa ser urgentemente preservada, para que as futuras gerações, também, possam desfrutar desse riquíssimo paraíso, pleno em diversidades, chamado Ibicoara!

André Romero Nery Franco – André Rhomero – Escritor, Diretor Municipal de Cultura em Ibicoara, Criador da Escola Ashtária, Guia de Ecoturismo, Compositor e Vocalista da Banda Ibicoarense: Forró Trindade!
